Suinocultura

Saiba mais sobre a produção de suínos Light

A domesticação de porcos ocorreu há cerca de 10.000 anos e, de lá para cá, a modificação genética por meio da seleção de características faz com que a qualidade da carne que chega à mesa do consumidor seja muito elevada. O desenvolvimento de novas raças e as mudanças no formato e na constituição desses animais são resultado das necessidades de um público exigente. E a produção de suínos light é uma tendência crescente no agronegócio.

O Brasil ocupa a quarta posição no ranking de produção e, também, no de exportação de carne suína. As estatísticas dentro do país mostram que a região Sul foi responsável pelo montante de 2.581 toneladas e por 83,98% do total exportado. Apesar de produzirmos mais carne do que se consome no país, esse cenário está mudando e o mercado nacional está em ascensão.

Mas o que é exatamente a produção de suínos light e como ela funciona? Quais são as suas vantagens e como o mercado está reagindo a isso? Este artigo vai responder essas perguntas para você! Boa leitura!

O que é a produção de suínos light?

O porco selvagem da Antiguidade tinha a porção dianteira do corpo muito mais desenvolvida que a posterior, devido ao hábito da constante procura por alimentos nas florestas e à necessidade de suportar as brigas com competidores. À medida que os animais foram sendo criados em currais, sem precisar buscar comida, a sua constituição corporal foi mudando e houve um maior acúmulo de gordura.

No início do século XX, com o objetivo de potencializar determinadas características, houve o cruzamento de linhagens puras e, então, o surgimento de novas raças. Com a grande oferta de óleos vegetais (consequente diminuição do consumo de banha) e a pressão por produtividade e por uma criação economicamente mais viável, os suínos modernos passaram a ter 70% de massa posterior e 30% de anterior.

O manejo e a evolução do seu material genético levaram os suínos a um grau elevado de produtividade, com raças e indivíduos de alto valor comercial e biológico. Mudanças nos costumes da sociedade e a demanda dos consumidores por alimentos mais saudáveis desenvolveram um suíno com mais carne e menos gordura.

Cerca de 70% da gordura suína se localiza na sua capa, também conhecida como toucinho. O restante é distribuído pelo seu corpo, o que significa que a carne suína em si tem uma taxa de gordura muito menor que a de frango e a de gado. Desse material, 65% é gordura insaturada, aquela que ajuda na formação do bom colesterol.

Como funciona a criação de suínos light?

O chamado suíno light é uma linhagem (MS115) de machos gerados pela Embrapa, que está no mercado há cerca de 20 anos. Entretanto, não havia a fêmea disponível para a criação, até 2014, quando pesquisadores da empresa lançaram na Expointer a matriz MO25C. Uma fêmea desenvolvida a partir do cruzamento entre as raças Landrace, Large White e Moura.

Essa nova linhagem é altamente versátil, mas requer os mesmos cuidados e planejamentos de uma criação de raças que foram lançadas anteriormente. A produção suína é consideravelmente impulsionada quando se segue à risca um programa de manejo adequado, que foca no conforto animal, na nutrição balanceada de qualidade e no projeto de biosseguridade.

O custo de produção é menor, pois os leitões comem menos, mas tem uma alta taxa de conversão alimentar, engordando o necessário. É preciso oferecer as rações ricas em nutrientes diversos, específicas para cada fase de crescimento (pré-inicial, inicial, crescimento e terminação).

Como o mercado de suínos light está crescendo?

A constituição magra da carne suína somada à sua versatilidade tem feito cada vez mais pessoas procurarem essa fonte de proteína. Junto a isso, a alta produtividade, a diminuição dos custos de produção e o aproveitamento máximo dos recursos dos indivíduos torna o produto mais acessível nas prateleiras dos supermercados, o que tem atraído a atenção dos consumidores.

A carne dessa nova matriz de produção de suínos light é mais avermelhada (e não pálida como a de suínos comuns), mais macia, mais suculenta e de melhor conservação. Os produtos dela podem ser direcionados para as cadeias produtivas que abastecem churrascarias, supermercados, restaurantes e comércios de produtos curados (como presunto, salame e copa) e também para sistemas tradicionais que produzem carne para a indústria.

Além disso, essa matriz suína também é uma boa linhagem para ser utilizada em linhas de produção orgânica.

Quais são as vantagens da produção de suínos light?

A linhagem MO25S foi concebida para exprimir uma alta produtividade, um melhor desempenho zootécnico dos suínos de abate e uma melhora na qualidade da carne. A fonte proteica que, além de ser menos gordurosa, é mais saudável e saborosa, garante ganhos adicionais anuais aos produtores quando comparada aos animais convencionais.

Esse retorno é obtido na venda do suíno, que apresenta 2% a mais de carne na carcaça. Parece pouco, mas isso gera um ganho de 3% a mais no preço oferecido pelos frigoríficos, que avaliam o nível de gordura no pré-abate e pagam um “extra” na cotação do suíno light.

Além disso, o custo de produção de suínos light é menor, uma vez que eles consomem 10% a menos na quantidade de ração e têm uma grande capacidade de conversão alimentar.

A grande vantagem na criação de suínos light é que houve a exploração de um espaço promissor no Brasil, uma lacuna que precisava ser preenchida: juntaram-se características antes trabalhadas nas fêmeas com atributos desenvolvidos nos machos. O resultado é uma matriz altamente prolífica, com uma excelente qualidade na carne.

A parceria dos suinocultores com pesquisadores da Embrapa é sólida e calcada em alicerces que valorizam os produtores (impulsionando sua produtividade) e respeitam os consumidores (apresentando produtos seguros e de qualidade elevada). Soma-se a isso, o desempenho na manutenção do bem-estar animal e o resultado dessa colaboração é uma grande rentabilidade ao negócio, combinada com a sustentabilidade, a ética e o comprometimento social.

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