Conforto Animal

O que o excesso de ruídos pode indicar na produção de animais

Escrito por Marcelo Raimundo

A recente queda nas vendas de carne aviária/suína aumentou a pressão sobre o setor agropecuário para aprimorar a eficiência dos seus processos internos e evitar desperdícios na produção de animais. No 1º semestre de 2017, por exemplo, a comercialização de carne de frango caiu 4,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a exportação de carne suína recuou 2,8%, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

É evidente que estamos falando de resultados médios. Ao entrevistar alguns produtores, o que se percebe é um descompasso imenso entre agroindústrias que amargam resultados negativos e outras que acumulam sucessivas quebras de recordes, mesmo durante a crise econômica.

Esse desalinhamento evidencia que o sucesso na produção de animais depende muito mais da qualidade das tecnologias e dos métodos aplicados do que propriamente de fatores externos. A propósito, sua fazenda é produtiva?

Diversos elementos são determinantes para a eficiência econômica na produção intensiva de proteína animal: limpeza periódica das granjas e dos galpões, vacinação dos animais, planejamento adequado da nutrição e, é claro, equilíbrio na variação ambiental dos criadouros. Tudo isso produz bem-estar aos animais e multiplica a produção.

Mas antes de ter a certeza do erro pela análise dos balanços, uma forma mais imediata de saber se há algo equivocado com suas práticas de manejo do plantel é simplesmente entender o ruído dos animais.

Vamos compreender o que eles representam?

Qual é a importância do conforto na criação de animais

Existem pesquisas que revelam que alguns animais, como suínos e frangos jovens, elevam seu nível de ruídos quando expostos a condições térmicas desconfortantes. Em última análise, os grunhidos/cocoricares coletivos em um ambiente de confinamento podem ser o estopim para um descontrole generalizado, com animais subindo sobre os outros (pisoteamento) e provocando lesões que darão prejuízos à produção de animais.

Deve-se ter muito claro que cada fase da criação (berçário, creche, recria e terminação) exige uma temperatura média diferente. Ignorar essas diferenciações pode derrubar a sua produtividade. No caso da suinocultura, por exemplo, a fase de creche impõe temperatura média ideal nos galpões entre 20°C e 24°C.

Quando expostos a condições adversas (como exposição climática inadequada), os animais reagem com irritação e, se esse desconforto não for cessado com rapidez, o resultado pode ser a alteração do metabolismo no sistema endócrino, algo nada interessante para a produção de animais.

Inúmeras pesquisas comprovam que leitões estressados, por exemplo, liberam cortisol em medidas anormais, hormônio que atuará sobre o metabolismo orgânico, ampliando, por consequência, o catabolismo proteico e a gliconeogênese no fígado.

Esse ciclo de modificações culmina na inibição da absorção e da oxidação da glicose, além de aumento do catabolismo de triglicerídeos nas células adiposas. A questão é que todo esse universo de alterações metabólicas no animal altera as propriedades de sua carne (que costuma se tornar mais seca, dura e escura) e, sobretudo, desvia a energia da produção.

O ponto central aqui é que todo esse desencadeamento de modificações profundamente impactantes começa com o excesso de ruído dos animais — um aviso de que algo está errado. A emissão dos sinais sonoros da sua criação deve, portanto, ser analisada com extrema seriedade pelos veterinários e gestores do plantel.

O que o excesso de ruídos pode indicar

Segundo estudos dos pesquisadores Daniel Weary e Michael C. Appleby (Vocal Communication in Pigs: Who are Nursing Piglets Screaming at?), os suínos emitem vocalizações diversas ao serem expostos a variações climáticas mais intensas. À temperatura de 14°C, os animais aumentam sua emissão de ruídos, com mais frequência e duração em comparação aos animais expostos a temperaturas médias de 30°C.

Esses ruídos são irradiados em frequência peculiar em relação aos grunhidos decorrentes de fome, sede ou dor. A questão é que, com exceção às vocalizações de baixa tonalidade, utilizadas pelos animais para manter contato social, excitações vocálicas indicam algum nível de desconforto e, portanto, estresse. Esse estresse, como já citado acima, provoca inúmeros problemas que certamente vão atrapalhar os resultados econômicos do negócio.

Para deixar mais clara a importância dos ruídos nos criadouros, existem inúmeras pesquisas científicas que relatam que o aumento do cortisol durante a gestação dos suínos impacta negativamente até mesmo as características comportamentais de seus leitões.

Como avaliar se o nível de ruídos está acima do normal

Um medidor de pressão sonora (decibelímetro) eletrônico deve ser instalado nos locais de pecuária intensiva. Integrado a soluções de BI (Business Intelligence), esse instrumento deve transferir os dados capturados a um sistema de gestão da agroindústria, que seja capaz de tabular toda a série histórica de variações sonoras e encontrar o volume médio de ruídos dos animais.

É partir dessa consciência do comportamento do grupo que será possível identificar níveis sonoros que denotem excitação ou alguma espécie de incômodo.

Todavia, a título de referência, um experimento da pesquisadora Ellen Kanitz demonstrou que as alterações hormonais são desencadeadas nos animais quando expostos a ruídos variáveis; entretanto, a exposição prolongada a partir de 90dB ocasiona estado de estresse crônico, podendo prejudicar a saúde e o bem-estar da criação e, em consequência, a produção de animais.

Embora os níveis de ruídos sejam diferentes em cada etapa da vida, diversos estudos apontam uma média de 65dB como natural em um local de pecuária intensiva de suínos.

Como evitar o estresse dos animais

Promover temperatura agradável em estruturas de produção leiteira com gado confinado, avicultura e suinocultura é o grande desafio de veterinários e gestores da agroindústria.

Isso porque, se o responsável pelos criadores investe em ventiladores, melhora a temperatura ambiente, mas estressa os animais (em função do ruído); se reduz a quantidade de ventiladores, reduz o barulho, mas aumenta a temperatura do ambiente e estressa os animais novamente.

Alguns estudos mostram que os pintinhos, por exemplo, conseguem emitir até 30 sons distintos — em cada um deles, uma sinalização de bem-estar ou desconforto. O excesso ou a falta de calor durante as 3 primeiras semanas de vida pode resultar na perda de até 12% do peso das aves, impactando variáveis biológicas, como pressão arterial, batidas do coração e outros efeitos que terminam em perdas na produção de animais.

Como conciliar a necessidade de prover silêncio e equilíbrio térmico

É preciso investir em ventiladores para conforto animal com baixo consumo de energia, alta durabilidade e baixo nível de ruído. Desenvolvidos para dar mais comodidade aos animais, existem no mercado ventiladores de alta performance, os quais formam uma corrente de ar direcionada que mantém os criadouros frescos e os animais com baixo nível de estresse e em plena produção.

Ter equipamentos de alta vazão e com baixíssima manutenção implica em gerenciar um ambiente com menor quantidade de moscas, umidade e amônia, além de ter um galpão com circulação de ar homogênea, constante e com menor estresse térmico, fatores que contribuem para a melhoria do desempenho produtivo na avicultura, suinocultura ou na criação de gado leiteiro.

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Marcelo Raimundo

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