Avicultura

[Estender + 1000 palavras] Ventilação para conforto térmico animal: qual a importância e como escolher os equipamentos ideais?

Prezar pelo bem-estar dos animais que vivem em confinamento é uma das mais importantes diretrizes do agronegócio. Devido à direta influência que tem sobre a produtividade, fazer o controle da temperatura e da umidade no ambiente aviário é essencial para manter o conforto térmico animal. Todavia, manter a ambiência dos galpões também significa ter cuidado com os ruídos gerados, pois o excesso de barulho pode provocar estresse nas aves.

O Brasil alcançou, em 2011, a marca de maior exportador de carne de frango do mundo e tem mantido essa posição graças à determinação do avicultor que acreditou e investiu em melhorias no sistema de produção. Essas mudanças dizem respeito às exigências do mercado mundial e, também, aos desafios para a avicultura brasileira, que precisam ser contornados para garantir a qualidade do nosso produto.

Mas quais são as dificuldades encontradas pelos produtores? E, frente a isso, como proporcionar um ambiente favorável para o crescimento dos animais e evitar perdas no aviário? Como saber se os equipamentos escolhidos são os mais adequados?

Para responder a essas e outras perguntas, elaboramos este artigo! Continue a leitura para saber como monitorar a temperatura do galpão e escolher as soluções mais adequadas para o seu negócio!

Por que a ventilação de ar é tão importante para o conforto térmico animal?

O frango de corte se tornou destaque do agronegócio brasileiro que, na última década, teve um aumento de 60% na sua produção e 100% na exportação. Essas impressionantes taxas foram obtidas devido aos melhoramentos genéticos e à manutenção do status sanitário da granja somados às boas práticas de manejo e à promoção do bem-estar das aves.

Entretanto, a sua superioridade genética (que confere mais plasticidade imunológica e produtividade aos animais) depende desses fatores externos para ser expressa, ou seja, proporcionar um ambiente favorável para a criação dos animais é essencial para maximizar o potencial de produção.

Nesse âmbito, o uso da tecnologia é fundamental para assegurar o conforto térmico animal, visto que as alterações de temperatura são a maior causa das perdas na avicultura. Para contornar esse problema, é necessário investir na vazão de ar dentro dos abrigos.

O uso de ventiladores tem como principal função regular a temperatura interna do galpão. Porém, a renovação do ar é de extrema importância para adequar a umidade e diminuir as concentrações de poeira e gases tóxicos no ambiente (oriundos do metabolismo dos frangos) mantendo o ar limpo e fresco para os animais e, também, para os funcionários.

Por causa disso, é crucial que os ventiladores permaneçam ligados, mesmo nos meses mais frios, e seu uso deve ser associado a aquecedores. Isso ressalta a importância de conhecer a biologia das aves e ajustar os níveis de temperatura e umidade até que se atinja a zona de conforto térmico animal. Para frangos adultos, o ideal é de 21 °C  a 23 °C, enquanto na fase inicial (primeira semana de vida) é de 31 °C a 33 °C.

Pequenas mudanças no clima já são suficientes para causar estresse às aves, que são muito sensíveis. O calor ou o frio excessivo causam alterações metabólicas (na tentativa de equilibrar a temperatura corporal com o ambiente), responsáveis pela liberação de hormônios prejudiciais aos atributos da carne, além de provocarem mudanças no comportamento dos frangos — baixas ou altas temperaturas afetam o seu apetite, abalando a qualidade de seus produtos.

Por isso, os ventiladores de ar são equipamentos essenciais para assegurar a manutenção da ambiência dentro dos abrigos e evitar perdas. Contudo, é preciso também ficar atento à intensidade do barulho provocado pelos aparelhos de ventilação. Quando o ruído é intenso, pode causar desconforto nos animais e levá-los ao estresse.

Como o clima brasileiro afeta a produção animal?

Há uma perspectiva de ainda mais crescimento na indústria de frangos de corte no Brasil para os próximos anos. Isso se deve ao clima, à extensão territorial, à grande capacidade de produção de grãos (milho, soja e outros), à mão de obra acessível e à relativa facilidade para manejar os resíduos oriundos da cadeia produtiva. Entretanto, o mesmo clima favorável do país pode ser o grande gerador de dores de cabeça ao avicultor.

Em temperaturas elevadas, as aves passam a ofegar mais para liberar o seu calor interno e regular a sua temperatura. Quando a umidade relativa do ar é superior a 70%, a sua respiração é prejudicada, pois elas se tornam ainda mais ofegantes. Contudo, o animal pode não ser capaz de manter uma frequência respiratória suficientemente alta para manter-se estável, o que acarreta em hipertermia, seguida de prostração e morte.

Os invernos rigorosos da região Sul (onde se encontra o maior número de aviários do país) também afetam os animais, que desprendem muita energia para se aquecer. Assim, a produtividade dos frangos (tanto os de corte quanto as poedeiras) cai consideravelmente, visto que as calorias ingeridas na alimentação são usadas para a manutenção do seu equilíbrio corporal, em vez de serem direcionadas ao seu crescimento e à produção de ovos e carne.

Quando o aviário é construído com um pé direito alto, coberto com materiais de maior inércia térmica e equipado com ventiladores de qualidade que garantam a boa vazão de ar, a zona de conforto térmico animal é preservada e os frangos atingem o seu máximo potencial de produtividade.

Como identificar se a vazão de ar não está adequada?

O excesso de calor pode provocar algumas reações nas aves. Essas manifestações não podem ser negligenciadas, pois elas contribuem para indicar que a vazão de ar não está adequada às carências do galpão. As altas temperaturas podem aumentar a frequência de ofego, levando a uma alcalose respiratória e ao estresse térmico.

Para saber se existe alguma irregularidade quanto à ventilação dos abrigos, é fundamental observar o comportamento das aves. Sob altas temperaturas, elas costumam se manter agachadas e com as suas asas afastadas do corpo com o intuito de aumentar as trocas de calor com o ambiente. Além disso, elas também podem apresentar sinais como:

  • manutenção do bico aberto por longos períodos;
  • aumento do consumo de água;
  • elevação da taxa respiratória.

Como garantir a ambiência dos aviários e aumentar a produtividade?

Quando criadas sob condições apropriadas e dentro da zona de conforto térmico animal, as aves apresentam uma maior taxa de eficiência alimentar, ou seja, a ração rica em nutrientes é utilizada ao máximo para a produção de carne e ovos de qualidade. Isso gera uma grande economia ao produtor, visto que os maiores custos do empreendimento são em alimentação. Por conseguinte, com a alta na produtividade, o retorno dos investimentos também cresce.

Vale lembrar que manter as condições sanitárias adequadas e garantir a saúde e o bem-estar do animal é importante para que as aves sejam aceitas no mercado internacional. Portanto, é fundamental avaliar regularmente como está a temperatura do aviário, de acordo com o estágio de desenvolvimento das aves:

  • para os pintinhos (de 1 a 7 dias) a temperatura deve ficar entre 31 °C e 33 °C;
  • para as aves adultas a temperatura precisa permanecer entre 21 °C e 23 °C;
  • a umidade relativa do ar precisa ficar entre 65% e 70% (quanto menor a umidade, maiores são as temperaturas toleradas pelos frangos)

A instalação de ventilação forçada é a melhor estratégia para assegurar a ambiência nos galpões. Ela permite a renovação constante e uma perfeita homogeneização do ar, além de manter a temperatura e a umidade em níveis ideais e possibilitar a construção de aviários maiores (aumentando a concentração de aves/m2).

Como proceder à instalação de equipamentos para a homogeneização térmica?

Na hora de instalar o maquinário, é necessário avaliar a localização dos ventiladores, pois eles devem ficar posicionados de maneira que não levantem partículas (como nos casos de cama de serragem). A Embrapa recomenda que os ventiladores sejam posicionados transversalmente em uma lateral com fluxo de inclinação para baixo. O equipamento precisa ficar posicionado a meia altura do pé direito do aviário.

Uma outra opção é criar um fluxo longitudinal com ventiladores posicionados em duas linhas no comprimento do aviário. Assim, a intenção é fazer com que haja entrada de ar em uma extremidade e saída pela outra. Esse é um modelo considerado sistema túnel de vento.

Nesse caso, o número de exaustores usados dependerá da capacidade dos equipamentos, do volume de ar do galpão, da época do ano, da idade das aves e da velocidade que se quer dar ao vento. É recomendado que a velocidade máxima de vento próximo dos animais confinados não ultrapasse os 0,2 m/s para que sejam evitados os problemas pulmonares.

Porém, o dimensionamento deve ser feito com base na época em que as aves estão sujeitas ao mais alto nível de estresse calórico, ou seja, para aves com idade acima de três semanas e para a época mais quente do ano.

Os exaustores trabalham em intervalos de tempo que variam de acordo com o número de aves alojadas, com a temperatura interna desejada, com as dimensões do galpão e o tipo de aquecimento usado. A temperatura não pode ser nem muito baixa nem muito alta, pois ela precisa ser mantida em níveis coerentes.

Já os aviários fechados exigem um sistema mais robusto, com ventilação feita por equipamentos e resfriamento evaporativo. Nessas situações, os ventiladores precisam ser maiores e devem ser instalados em uma das extremidades dos oitões. A outra extremidade do ambiente deverá conter painéis evaporativos.

O que levar em consideração ao escolher os equipamentos para o conforto térmico animal?

Antes de adquirir um equipamento de ventilação para o aviário é necessário ficar atento a algumas características. Veja!

Equipamento de alta qualidade

Um ventilador adequado para a granja precisa garantir o conforto térmico animal e apresentar uma baixa produção de ruído. A poluição sonora nos galpões interfere na saúde psicológica das aves, causando medo e levando-as ao estresse. Por isso, é essencial ficar atento à qualidade do equipamento, à sua capacidade de vazão, aos níveis de ruído e ao seu custo de manutenção.

É importante investir em maquinários robustos, fabricados com materiais de qualidade e que tenham sido projetados de acordo com as necessidades da propriedade. Isso garante uma menor frequência de manutenção e uma ventilação eficiente.

Equilíbrio entre os custos do equipamento e a eficiência energética

Nem sempre as soluções mais baratas do mercado são as mais confiáveis e eficientes. Por isso, é essencial considerar o preço, mas também o índice de consumo energético e, então, avaliar o custo-benefício do material. Afinal, o uso contínuo fará com que haja maior consumo de luz, o que poderá aumentar os gastos do aviário e, também, prejudicar o meio ambiente.

Por isso, deve-se levar em conta a experiência da empresa no ramo, os investimentos dela em pesquisa e tecnologia, bem como a sua credibilidade no mercado. Isso porque todas as etapas do sistema estão interligadas ao bem-estar do animal, resultando diretamente em produtividade e rentabilidade para o produtor.

Como baixar o consumo de energia sem afetar o conforto térmico animal?

Invista em ventiladores que resultem no equilíbrio entre custo e benefício, por aliarem uma vazão de ar eficiente, a alta tecnologia no processo de fabricação, a utilização de materiais de qualidade e o conhecimento sobre as dificuldades que o avicultor brasileiro enfrenta. Além disso, procure uma empresa que esteja alinhada aos seus interesses e que tenha valores comprometidos com a sociedade e o meio ambiente.

Assim, é garantido que os equipamentos serão adequados para as características locais da sua propriedade e, ainda, possibilita uma assistência rápida e eficaz em qualquer situação. Ventiladores desenvolvidos a partir de pesquisas aprofundadas na solução de problemas específicos e regionais são mais eficientes — apresentam vazão de ar ideal e baixa emissão de ruídos — assegurando o menor consumo de energia.

Como você pôde perceber, a infraestrutura da fazenda é um dos fatores cruciais para aumentar a produtividade em um aviário. Fazer um bom planejamento do negócio e aliar instalações de qualidade com boas práticas de manejo animal — alimentação balanceada, status sanitário e um tratamento respeitoso para com as aves — é a melhor forma de impulsionar a produtividade e se manter firme no mercado nacional e internacional.

Nosso artigo foi esclarecedor para você? Novas dúvidas surgiram a respeito de como manter o conforto térmico animal? Quer saber mais sobre como investir na saúde e no bem-estar das aves? Então entre em contato com a nossa equipe, fale com um de nossos especialistas e conheça as nossas soluções para o seu setor!

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