Avicultura

[Estender + 1000] Estresse térmico na criação de aves: como identificar e resolver o problema?

Quando o assunto é criação de aves, seguir as boas práticas de manejo animal é uma das melhores estratégias para garantir a produtividade na granja e a qualidade de seus produtos. Entretanto, as dificuldades enfrentadas pelos produtores não são poucas, e o estresse térmico é um dos problemas mais recorrentes na avicultura, uma vez que as alterações de temperatura afetam consideravelmente o desempenho das aves.

Mas o que causa, exatamente, o estresse térmico durante a criação de aves? Como é possível identificar os sinais de desconforto nelas e como esse problema pode ser resolvido antes que cause prejuízos ao negócio? Continue a leitura do nosso artigo e entenda!

Quais são as causas do estresse térmico nas aves?

A vasta extensão territorial do Brasil faz com que haja uma ampla variação climática no país, dependendo da região onde estivermos. Por estarmos, predominantemente, inseridos em um clima tropical, as elevadas temperaturas demandam uma incessante preocupação com o conforto animal em todas as atividades que envolvem a criação de animais. Porém, o frio também é preocupante, principalmente no Sul e Sudeste brasileiros.

Para as aves, o frio pode causar problemas no seu estágio de vida inicial, enquanto que o calor excessivo tende a ser bastante prejudicial na sua fase adulta. Nesse último caso, o estresse acontece por conta da alta retenção de calor em oposição à baixa capacidade que os frangos têm de dissipá-lo. Ou seja, uma ave nessas condições tenta estabilizar a sua temperatura corporal com a do meio, a fim de amenizar o seu desconforto, fazendo um esforço que pode levá-la ao estresse.

Isso se deve ao fato de as aves serem animais homeotérmicos, ou seja, elas preservam a sua temperatura corporal constante (e sob uma estreita faixa de variação) para manter em funcionamento os seus órgãos vitais. Isso significa que, quando expostas a condições ambientais não favoráveis ou ideais, seu metabolismo sofre mudanças para compensar o desequilíbrio e mantê-las vivas.

Entretanto, engana-se quem pensa que são somente os fatores climáticos externos que podem causar estresse térmico nas aves. A má gestão do plantel e o descaso com a infraestrutura dos abrigos são motivos que conduzem os produtores a perdas enormes em sua produção.

Não respeitar o número de aves de acordo com o espaço que elas necessitam e não investir em táticas que mantenham a ambiência nos galpões, por exemplo, pode levar o empreendimento à perda de lotes inteiros.

Qual é a zona de conforto térmico das aves?

Independentemente da causa do estresse, é preciso ter em mente que isso acontece devido ao fato de as aves serem animais muito sensíveis às alterações de temperatura, ou seja, a amplitude térmica que elas toleram não é muito grande.

Existe uma zona de conforto térmico em que os animais não precisam fazer nenhuma troca com o ambiente para manterem constante a sua temperatura corporal. Dessa forma, a energia do seu metabolismo é direcionada para a formação de seus produtos e não é dissipada para a reparação do seu funcionamento vital.

A faixa de conforto térmico varia ao longo dos estágios de vida dos frangos, sendo, portanto, necessário adequar as instalações para cada um deles. Assim, o intervalo ideal para cada fase é o seguinte:

  • pintinhos: 31° C a 33° C;

  • frangos adultos: 21° C a 23° C.

A temperatura média corporal das aves gira em torno de 41° C. Quando seu corpo atinge os 33° C, eles estão hipotérmicos e, ao elevar sua temperatura até os 45° C, eles entram em hipertermia. Ou seja, as aves suportam, no máximo, uma redução de 8° C e um aumento de 4° C em sua temperatura corporal (não ambiental).

Seja como for, qualquer uma dessas situações indica estresse e risco de morte e deve ser imediatamente avaliada e corrigida.

Quais são os sintomas de estresse térmico nas aves?

Conhecer a biologia comportamental dos animais pode salvar o produtor de grandes prejuízos. As aves apresentam mudanças nos seus hábitos na tentativa de regular sua temperatura corporal. Se as medidas cabíveis forem tomadas a tempo, qualquer situação de desconforto pode ser revertida.

A veterinária Juliana Batista destaca algumas dicas preciosas para que seja possível identificar esses sintomas com facilidade e rapidez. Veja:

Bico aberto por muito tempo

A abertura do bico possibilita a perda de calor por meio da evaporação. Quando as aves permanecem por muito tempo dessa forma, é preciso ter atenção, uma vez que, com esse comportamento, há um aumento da taxa respiratória.

Aumento da frequência respiratória

Esse hábito auxilia os frangos a reduzirem sua temperatura corporal, porém, não é um comportamento favorável. Há grandes chances de que isso leve as aves a uma alcalose respiratória (diminuição do CO2 na corrente sanguínea).

Esse aumento do pH no sangue desencadeia um desequilíbrio mineral e eletrolítico, o que causa, por sua vez, a redução de concentração de cálcio circulante. Como consequência, os ovos produzidos serão pequenos, com casca fina ou mesmo sem casca.

Elevação no consumo de água

Com a ampliação da frequência respiratória, a necessidade de beber água aumenta para dissipar o calor, bem como para repor o líquido evaporado por meio da abertura do bico. O maior consumo de água gera desequilíbrio mineral e o consequente crescimento da produção de resíduos na cama (aumenta a taxa de amônia no ambiente).

Além dos níveis de gases tóxicos, os dejetos na cama provocam mais umidade e insalubridade no galpão. Isso gera mais potencial de contaminação, afetando diretamente a saúde dos animais.

Agachamento e abertura das asas

Para facilitar a troca de calor com o ambiente e regular a temperatura, os frangos se agacham e permanecem com as asas abertas e afastadas do corpo. Esse comportamento possibilita um aumento da área de superfície corporal, tornando mais fácil dissipar o calor.

Há, também, a elevação do fluxo sanguíneo para as regiões descobertas por penas, como a crista e a barbela.

O que fazer para resolver o problema térmico na criação de aves?

Mesmo sabendo que é alta a sensibilidade das aves às alterações de temperatura, a boa notícia é que o avicultor tem a possibilidade de contornar esse problema. Basta ter conhecimento sobre as particularidades fisiológicas e comportamentais dos frangos e uma boa gestão de investimentos para o negócio.

Assim, ao levar em consideração que a produtividade da avicultura é significativamente prejudicada por esse tipo de desconforto, é fundamental elaborar um plano de gestão com determinadas medidas para solucioná-lo. A veterinária Juliana Batista ressalta que “a ambiência é um fator preponderante para o sucesso da criação de aves” e, portanto, o local de construção do aviário deve ser bastante avaliado.

Segundo ela, “fatores como orientação Leste-Oeste, paisagismo circundante e altura de pé direito devem ser avaliados por um profissional especializado, que poderá dar informações importantes e decisivas para obtenção de melhores resultados”.

Contudo, existem algumas estratégias de investimento (práticas e tecnológicas) que previnem o estresse térmico nos animais ao manter as condições ambientais favoráveis dentro dos galpões:

Oferecer melhoradores de desempenho

Sob estresse térmico, as aves necessitam de um maior aporte nutricional, especialmente de energia. O uso de melhoradores de desempenho, como a virginiamicina, se mostra eficiente por aumentar a disponibilidade de nutrientes absorvidos pelas aves, e não pelas suas bactérias intestinais (que tiveram aumento devido ao calor excessivo).

Controlar a qualidade da água

A água oferecida aos animais deve ser sempre fresca, e os bebedouros devem ser mantidos higienizados e longe da radiação solar. Dessa forma, as aves beberão o necessário para a regulagem da temperatura e não terão problemas secundários oriundos de uma água de baixa qualidade.

Fornecer nutrição adequada

Com o aumento do calor, a tendência é que os frangos diminuam o consumo de ração. Por isso, é necessário investir em uma dieta adequada para os períodos mais quentes do ano, que seja balanceada em níveis energéticos capazes de suprir a demanda nutricional das aves.

Investir em infraestrutura de qualidade

Investir em equipamentos de qualidade, como ventiladores, aspersores, exaustores e coolers, é, sem dúvida, uma das melhores táticas para contornar e minimizar o desconforto térmico na criação de aves. Os ventiladores, fabricados de acordo com as necessidades de cada granja (levando em conta o tamanho dos abrigos, do plantel etc.), regulam a temperatura e a umidade dentro dos aviários.

Além disso, os ventiladores têm um papel fundamental para o aumento da vazão de ar, reduzindo, assim, os níveis de gases liberados durante a produção (como a amônia). Logo, esses equipamentos garantem a ambiência para as aves e, também, a segurança para os seus tratadores.

Controlar os sistemas por meio da IoT — Internet of Things

Uma das maneiras mais eficientes de controlar o que se passa dentro da granja é dispor da Internet das Coisas. Essa tecnologia possibilita ao produtor averiguar as condições ambientais dos galpões por meio de aplicativos conectados à internet.

Assim, é viável que a equipe de trabalho saiba, em tempo real, o que está acontecendo no aviário e tome as devidas precauções para solucionar, com rapidez, as adversidades encontradas.

Qual o segredo para o sucesso na criação de aves?

Você que acompanha o nosso blog já sabe que a chave para ter êxito com as atividades avícolas é focar o bem-estar dos animais e a capacitação da equipe de trabalho. Como pôde perceber, o conforto animal é uma das questões mais importantes da avicultura, uma vez que somente produzirá bem aquela ave que estiver bem.

A manutenção da ambiência (com o investimento em tecnologia e equipamentos de qualidade, que se adéquem às particularidades da granja) com a execução das boas práticas de manejo animal é a combinação mais certeira para evitar o estresse térmico nas aves, potencializar o seu desempenho e atingir melhores resultados. Sendo assim, essa deve ser uma das metas norteadoras do negócio.

Gostou da leitura do artigo? Nossas dicas foram úteis para você? Gostaria de esclarecer mais algumas dúvidas em relação às medidas de preservação do bem-estar na criação de aves? Então, entre em contato conosco e converse com nossos especialistas. Teremos prazer em ajudá-lo!

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