Avicultura

Consumo de energia na agroindústria: como reduzir sem afetar o conforto animal na avicultura?

O setor agroindustrial tem uma enorme importância na economia brasileira. Dentro dessa esfera, a avicultura é um dos ramos que mais produz impacto no que diz respeito à geração de empregos no país.

Incentivos por parte do governo, pesquisa e desenvolvimento, geração de conhecimento e manejo genético somado à melhorias na estrutura e na cadeia de produção colocam o Brasil na segunda posição entre os maiores exportadores de carne de frango do mundo. Esse desenvolvimento acaba por gerar um grande consumo de energia na agroindústria.

Para manter a ambiência ideal nos galpões e garantir pleno conforto aos animais, é necessária uma grande demanda no consumo de eletricidade, uma vez que essa está atrelada a muitos processos da cadeia de produção. Desde a total climatização do ambiente até o fornecimento de alimento para as aves, o uso de energia é primordial e abundante.

A principal fonte de energia elétrica no Brasil é proveniente das hidrelétricas. Essa matriz é responsável por cerca de 90% da produção energética do país. O preço que os consumidores e os produtores pagam mensalmente é a soma da captação, transmissão e distribuição, dos encargos setoriais e dos tributos aplicados por lei. Os reajustes nas tarifas podem elevar os custos e gerar um grande impacto na produção.

Se você é produtor e está no segmento aviário, certamente sabe a importância dessas questões — principalmente porque tem consciência de que a falta de energia, mesmo que por curtos períodos de tempo, pode causar grandes perdas de animais. Lotes inteiros podem ser prejudicados pela falta de controle e constância dos fatores que estabilizam a climatização do ambiente.

Seria possível manter o nível de conforto dos animais e elevar a qualidade dos produtos sem aumentar — ou até mesmo reduzir — o consumo de energia elétrica na indústria da avicultura? Para responder a essa e outras perguntas, preparamos este artigo para você. Boa leitura!

Por que produtores precisam se preocupar tanto com a economia de energia?

No ramo da agroindústria que lida com seres vivos, uma das questões fundamentais é o conforto animal. Há mais de 50 anos foram iniciados estudos referentes ao bem-estar animal e a sua relação com a produtividade na agroindústria. Inicialmente focada na criação de gado e na produção de leite, a preocupação com a ambiência hoje se estende a todas as demais espécies animais em que há consumo de carne e também seus derivados.

Esse cuidado no sistema de criação das aves é embasado no conhecimento sobre o comportamento e a fisiologia dos animais. Os frangos são mais ativos durante o dia e seu desempenho na produção de ovos, por exemplo, depende da quantidade e da intensidade de luz. Quanto menor a incidência de luz, menos ovos serão postos. Então o tempo de atividade dos animais pode ser controlado à medida que a sua exposição à luz também é monitorada.

Não somente o controle da luminosidade é dependente do consumo de energia elétrica. O sistema de alimentação, que conduz a ração dos silos até as aves, o de nebulização, que controla a umidade, e o de ventilação, que regula precisamente a temperatura dentro dos galpões, são cruciais para a preservação de um ambiente ideal para os animais.

O gasto de energia para manter em funcionamento todos os processos envolvidos na criação aviária intensiva é constante, mas também pode ser intensificado dependendo da fase de vida em que os frangos estão. À proporção que as aves crescem, a demanda por energia também aumenta.

A qualidade da produção está direta e intimamente ligada ao conforto animal. Manter as aves em um ambiente com temperatura adequada e baixa poluição sonora evita que elas reajam às condições externas de maneira estressante e sejam expostas a danos decorrentes desse estresse.

Essa economia é um mito ou realmente pode ser alcançada?

As aves são animais muito sensíveis às alterações do ambiente. Isso significa que, quando exposto a ruídos sonoros excessivos ou a mudanças — mesmo que sutis — na temperatura, um lote inteiro pode ser posto em risco.

Investir na infraestrutura e em equipamentos automatizados de qualidade deve ser o principal objetivo do produtor que visa estabelecer o equilíbrio entre produtividade e economia de energia.

A questão central é: como o consumo de energia na agroindústria pode ser reduzido sem baixar a qualidade dos produtos finais?

O que pode ser feito na prática para economizar energia na agroindústria?

O Brasil conta com um enorme potencial hídrico para geração de energia, uma vez que possui uma grande quantidade de rios de planalto em um vasto território. Entretanto, como já é sabido, os custos de captação e distribuição dessa energia estão entre os mais altos nas matrizes energéticas e afetam diretamente o bolso dos produtores.

Além disso, o uso da energia elétrica proveniente das hidrelétricas está suscetível às variações climáticas e ao regime de chuvas do país. A escassez de chuvas e as consequentes secas prolongadas forçam o governo a acionar as termoelétricas, e com um sistema de captação de energia mais dispendioso, incrementa-se a bandeira vermelha nas contas, encarecendo os custos no fim do mês.

Cada vez mais, fontes alternativas e renováveis de geração de energia estão sendo desenvolvidas e exploradas no país como, a energia solar, eólica e a biomassa. Por vezes essas matrizes têm um custo inicial de instalação considerável, mas compensam no longo prazo, na questão de manutenção e no fato de serem menos suscetíveis a falhas na distribuição.

O investimento em biodigestores, por exemplo, está crescendo consideravelmente. Muitas empresas já são capazes de produzir sua própria energia, provinda de resíduos oriundos de matéria vegetal ou animal. A matriz energética gerada a partir dos gases resultantes da decomposição da biomassa já é responsável por 10% do total produzido no país.

A implantação de placas solares é também uma possibilidade que tem sido cada vez mais procurada pelos produtores, e conta com uma linha de crédito específica para a avicultura. O custo inicial de instalação das placas é alto, mas no longo prazo acaba compensando, uma vez que o sistema possui vida útil de pelo menos 20 anos. O método é simples e durável, podendo gerar 100% da energia consumida.

Uma das grandes vantagens das fontes alternativas de obtenção de energia é o baixo impacto ambiental. Apesar da produção das hidrelétricas ser limpa, os alagamentos necessários para a formação de suas represas causam uma alteração gigantesca no ambiente. A biomassa, por sua vez, é a solução para o problema do lixo gerado em outras cadeias de produção. O calor gerado desse processo pode ser utilizado tanto para aquecer os galpões quanto para gerar energia elétrica para a empresa.

Sustentabilidade é a palavra-chave para uma maior rentabilidade no ramo da avicultura. Quando se trata de reduzir os custos com o consumo de energia na agroindústria, a eficiência energética é quem dita as regras. A escolha de bons equipamentos — ventiladores de qualidade, que têm menor consumo de energia, por exemplo — garante um aproveitamento melhor dos recursos, sem escapes que geram prejuízos para a empresa.

O emprego de aparelhos automatizados e com controle computadorizado assegura um maior dinamismo aos processos de criação, sem falhas ou choques bruscos de temperatura, iluminação e produção de som. Um controlador de luz, por exemplo, culmina em economia de energia, uma vez que alia automatização com conforto animal.

Animais que estão protegidos dos ruídos sonoros em excesso e estão inseridos em um ambiente cujo clima é altamente controlado pela eficácia de bons equipamentos estarão livres de estresse, terão mais produtividade e, consequentemente, produzirão com mais qualidade.

A aplicação de novas fontes de energia — renováveis e sustentáveis —, mesmo que somadas às fontes convencionais, reduzem, além da dependência por essas, os custos com energia elétrica na empresa. A união entre sustentabilidade e equipamentos de qualidade que propiciam conforto animal assegura e impulsiona o agronegócio da avicultura.

Gostou do artigo? Ainda tem dúvidas em relação ao consumo de energia na agroindústria? Entre em contato conosco! Nosso compromisso é atender com seriedade quem compartilha os mesmos valores éticos e empreendedores!

Sobre o autor

Marangoni Conforto Animal

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