Avicultura

Conheça as melhores formas de controlar a temperatura em uma granja

Escrito por Marcelo Raimundo

O Brasil ocupa as primeiras posições no ranking de exportação de produtos oriundos da agroindústria. O mercado de laticínios, a avicultura e a suinocultura cresceram consideravelmente com o início e o estabelecimento da prática de manejo genético, de pesquisas em desenvolvimento tecnológico e do investimento em conforto animal. No que diz respeito ao bem-estar animal, uma das questões mais importantes é manter a temperatura da granja adequada em todos os setores e em todas as ocasiões.

O calor ou o frio excessivo pode causar desconforto, doenças e estresse aos animais, comprometendo o seu desempenho e, consequentemente, a qualidade de seus produtos. Mas como essas variações os afetam? E de que maneira, então, a temperatura da granja pode ser controlada? Quer responder essas perguntas e saber mais sobre o assunto? Confira o post que preparamos para você!

Por que regular a temperatura em uma granja é essencial?

O Brasil possui seu vasto território sob o clima tropical e, mesmo a região Sul, que apresenta clima subtropical, enfrenta ondas de calor demasiado na primavera e no verão. Entretanto, as temperaturas muito baixas também afetam negativamente o bem-estar dos animais.

Para que o criadeiro permaneça em sua faixa ideal de comodidade e mantenha alta a sua atividade produtiva, é de suma importância que a temperatura seja cuidadosamente controlada. Esse controle é o que faz toda a diferença entre o impulsionamento do negócio e a perda total de um lote.

O melhoramento genético faz com que os animais expressem com mais vigor suas melhores características. Além disso, o controle sanitário e o acompanhamento regular de um veterinário previnem disfunções e doenças. Contudo, a constância dos fatores que aclimatizam os galpões é decisiva quando o assunto é conforto animal e produtividade.

Há diferenças entre os tipos de animais e as temperaturas adequadas? Quais?

Frangos, vacas e porcos são animais homeotérmicos, ou seja, eles têm a capacidade de manter a sua temperatura corporal relativamente estável por meio do seu metabolismo. O corpo também reage às trocas de calor com o ambiente de maneiras específicas para que isso aconteça, o que é percebido pelo comportamento do animal.

Procurar por sombras e lugares frescos, arfar com a língua para fora e suar são algumas medidas para diminuir a temperatura do corpo. Exibir uma atividade gregária, procurar lugares quentes e tremer (involuntariamente) já são mecanismos adotados pelos animais para se conservarem aquecidos.

Contudo, cada espécie tem uma fisiologia diferente e respondem, à sua maneira, à elevação ou à queda excessiva da temperatura. Vejamos os seguintes criadouros:

Aves

Em condições normais, a temperatura das aves gira em torno de 41 °C. E o ambiente ideal deve estar entre 21 °C  a 23 °C. Mas essa necessidade varia de acordo com a fase de desenvolvimento em que se encontram os frangos. Quando se trata de pintinhos (primeira semana de vida), acondicioná-los de 31 °C a 33 °C é o adequado.

Uma amplitude térmica de 4 °C acima caracteriza hipertermia e com 8 °C abaixo da temperatura normal, as aves entram em estado de hipotermia. Essas variações levam à falência dos órgãos, causando a morte dos animais.

Suínos

Os suínos são extremamente sensíveis às mudanças na temperatura. Eles têm sua temperatura próxima dos 39 °C. Todavia, assim como os pintinhos, os leitões também precisam estar mais aquecidos. Esse é um desafio que precisa ser contornado adequando as instalações da granja.

Quando submetidos a um acréscimo no calor ambiente (acima de 24 °C), os porcos entram em um ciclo de estresse que envolve o aumento da sua emissão de som. Quanto mais ruídos emitem, mais agitados ficam, elevando, portanto, a sua própria temperatura corporal.

Além da sensibilidade frente à inquietação do grupo, esses animais também têm seu sistema imune afetado, o que os deixa mais suscetíveis às enfermidades. Além disso, eles produzem altos níveis do hormônio cortisol, que pode levá-los a uma baixa na produção e, até mesmo, à infertilidade.

Bovinos

A temperatura corporal das vacas se mantém acerca de 39 °C e, assim como os porcos, os ruminantes são bastante frágeis às alterações climáticas. Quando criadas soltas, elas procuram ambientes frescos e protegidos do sol para se refrescar.

Na pecuária leiteira, porém, o gado que vive em confinamento precisa ser assegurado pela boa infraestrutura dos galpões para que o conforto térmico seja atingido. Os diferentes ambientes — as salas de espera e de ordenha, por exemplo — precisam de atenção especial.

A produção de leite é um mecanismo que por si só eleva a temperatura das vacas, ou seja, quanto mais leite ela produzir, mais calor o seu corpo vai gerar. Tendo ciência disso, é natural perceber que a temperatura da granja deve ser muito bem monitorada.

O que é importante ressaltar é que qualquer esforço para manter a temperatura corporal constante gera alterações no funcionamento metabólico de todos os animais e essas mudanças culminam em uma queda na sua expressividade. Isso porque o gasto de energia é direcionado para estabilizar a temperatura, restando um baixo nível para a formação de seus produtos.

O que deve ser modificado em uma granja para que o conforto da temperatura animal seja garantido?

Uma vez entendido que manter a temperatura da granja controlada é primordial, quais medidas devem ser tomadas para que os galpões estejam dentro das condições esperadas? As instalações em uma granja devem ser muito bem planejadas para cada espécie que se maneja. Porém, existem algumas providências que são unânimes.

As paredes da granja devem ser feitas com material que permite o isolamento térmico (principalmente no frio) ou serem abertas lateralmente, livres de quaisquer obstáculos que impeçam a circulação do vento no abrigo. O uso de cortinas para suavizar a entrada do sol também pode ser uma opção.

O substrato em que os animais passam a maior parte do tempo, bem como suas baias e camas, também devem ser compostos por serragem limpa e seca, propiciando conforto a eles. O material deve ser natural e trocado com frequência para que não se propaguem enfermidades oriundas da umidade e dos dejetos dos animais.

A ventilação dos galpões é uma das resoluções mais importantes na infraestrutura da granja. Os ventiladores mantêm a temperatura constante e ideal por meio da circulação de ar e da adequação da umidade dentro do abrigo. Conjuntamente aos ventiladores, exaustores e aspersores de água atuam para o equilíbrio das condições climáticas nas granjas.

Controlando e integrando os sistemas

Hoje, aliados aos equipamentos desenvolvidos com tecnologia de ponta, estão os sistemas de monitoramento desse maquinário. Além disso, estão cada vez mais difundidos os sistemas de integração ou IoT (Internet das coisas — Internet of things, em inglês).

Esse mecanismo possibilita que o produtor tenha gestão sobre toda a sua cadeia de produção, sobre todos os seus dispositivos de controle de ventilação, aquecimento, iluminação e alimentação. A estratégia pode ser, por exemplo, o acionamento dos aquecedores quando a temperatura da granja atingir níveis abaixo do ideal. Tudo isso monitorado por meio de seu smartphone.

Uma vez que todos os equipamentos são inteligentes e estão conectados à internet, o empreendedor fica sabendo, em tempo hábil para tomar as devidas providências, se algum dos conjuntos apresenta falhas. Controlar a temperatura da granja é crucial para assegurar a constância da produtividade, sem surpresas.

Nesse campo, a maior dificuldade está no alcance das telecomunicações. A tecnologia já está disponível no mercado, mas, em muitas áreas rurais, a captação de sinais de rede ainda é precária.

Gostou da leitura? Nosso artigo sobre como controlar a temperatura da granja foi útil para você? Assine nossa newsletter e receba essas e mais informações a respeito de melhorias que impulsionam o seu agronegócio!

Deixar comentário.

Share This