Pecuária Leiteira

Conforto animal: conheça melhores práticas para pecuária leiteira

Escrito por Marcelo Raimundo

No agronegócio, a meta que sempre tentamos alcançar é a alta produtividade. Esse conceito nada mais é que a relação entre a quantidade gerada de um determinado produto e os fatores necessários para que ele seja obtido. Além da eficiência do sistema, o tempo é associado ao rendimento do negócio: ganha mais quem produz mais em menor tempo. Entretanto, quando o assunto é pecuária leiteira, a qualidade tem valor superior à abundância no produto final.

Nas últimas décadas, as pesquisas em desenvolvimento, em tecnologia e em melhoramento genético impulsionaram a agroindústria leiteira, consumando o Brasil como o quarto maior produtor de leite do mundo. Entremeadas à infraestrutura adequada, estão as boas práticas de manejo agropecuário que, se geridas com conhecimento e planejamento, garantem à fazenda uma taxa de retorno — ROI — mais expressiva.

Entre as medidas mais importantes e significativas que podem ser adotadas em uma propriedade está o investimento em conforto animal. Preservar a ambiência nos galpões garante a boa saúde dos animais e, por conseguinte, o rendimento do negócio.

Mas que práticas de manejo são essas? Como elas influenciam positivamente na produtividade do rebanho? Continue a leitura do nosso artigo e entenda como alguns investimentos podem fazer a diferença no seu empreendimento. Bom proveito!

Conforto animal, bons genes e o aumento da produtividade

Nos últimos anos, o domínio sobre a carga genética dos animais permitiu que fossem selecionadas as características mais desejáveis para cada sistema de produção. Assim, raças que antes já eram conhecidas por serem boas produtoras de leite, hoje podem superar a marca dos 30 litros/dia.

No entanto, de nada adianta ter a vaca com os melhores genes do mundo se o produtor não oferecer as condições mínimas de vivência para que seu desempenho atinja níveis máximos. A fórmula para o sucesso na pecuária leiteira é a soma de três elementos: genética, alimentação e manejo.

Permeando esses três fatores, o conforto animal deve ser o arcabouço do sistema. Vejamos:

Bem-estar animal

Os bovinos são seres sencientes, ou seja, eles são capazes de experienciar sensações positivas e negativas. Portanto, trata-se de uma questão ética e humanitária disponibilizar boas condições de vida para animais de criadouro.

Nesse contexto e, de acordo com a Farm Animal Welfare Comittee (FAWC), as cinco premissas da ciência do bem-estar animal são as que reivindicam que eles estejam:

  1. livres de fome e sede;
  2. livres de desconforto;
  3. livres de dor, lesões ou ferimentos;
  4. livres de medo e estresse;
  5. livres para manifestar seu comportamento natural.

Saúde animal

Animais que não estão em seu perfeito estado de saúde simplesmente não produzirão todo o seu potencial, devido à demanda energética metabólica para sanar as injúrias a que estão expostos. Sendo assim, é crucial o acompanhamento intensivo de um médico-veterinário na execução de um programa eficaz de manejo sanitário do rebanho.

Um planejamento satisfatório é aquele que trabalha com controle e prevenção de doenças e infecções parasitárias, diagnóstico e tratamento rápido e responsivo.

Nutrição adequada

A base para uma boa produção de leite é uma alimentação de qualidade. Além de permitir que as vacas tenham acesso a um bom pasto, quando soltas, oferecer a elas uma ração equilibrada com ingredientes selecionados (silagem de azevém, aveia e milho, aditivos e sais minerais, por exemplo) aumenta a sua taxa nutritiva e a sua produtividade.

A aquisição de uma misturadora garante a homogeneidade da ração, impede que as vacas escolham o alimento e pode elevar, assim, os níveis de produção diária por animal. Somada à alimentação, o rebanho deve ter acesso livre à água.

Como a estrutura da fazenda influencia o bem-estar animal

Para que os animais possam expressar todo o potencial genético que possuem, eles dependem de certos fatores externos (alguns citados no item anterior). Mas para que as cinco liberdades do bem-estar animal sejam exercidas virtuosamente, a infraestrutura da propriedade precisa condizer com o plano de manejo do plantel.

As instalações dos galpões precisam assegurar que as vacas não se lesionem ao serem deslocadas de uma sala para outra e que façam isso sem medo nem estresse. Deve ser garantido, também, um local limpo e agradável para descanso. E os abrigos necessitam, impreterivelmente, manter as condições de ambiência favoráveis para os bovinos.

A zona de conforto térmico para vacas em lactação é de 4°C a 24°C. À medida que o calor aumenta, os animais tendem a diminuir o consumo de alimento para regular o metabolismo e manter sua temperatura corporal em torno dos 39°C. O estresse calórico conduz à propensão de mastite, a baixas taxas reprodutivas e à mortalidade, e a redução na ingestão de alimentos compromete em até 80% a produtividade de leite.

Investir na instalação de ventiladores e equipamentos de qualidade certifica ao produtor a constância na aclimatização do ambiente. O equilíbrio entre a temperatura ideal e a umidade pode ser alcançado com uma ventilação apropriada e regulada.

Gestão socioeconômica e responsabilidade ambiental

Os consumidores estão, cada vez mais, preocupados com a qualidade do produto que recebem em casa. Entretanto, sua atenção está voltada, também, à maneira como os animais são tratados e aos impactos ambientais gerados pelo processo de fabricação de determinado bem de consumo.

Para atender às exigências de um consumidor consciente e se manter no mercado, a fazenda deve objetivar produzir leite com o máximo de aproveitamento dos recursos naturais disponíveis, evitando o desperdício e minimizando os impactos decorrentes. A propriedade deve proteger cursos d’água e fomentar a biodiversidade.

O manejo adequado dos efluentes é fundamental, visto que, no sistema de pecuária leiteira, normalmente as fazendas são responsáveis pela produção do seu próprio insumo e dependem da utilização de fertilizantes. Os gases gerados pelo metabolismo dos ruminantes, responsáveis por causar parte do efeito estufa, podem ser minimizados com uma alimentação balanceada.

Uma fazenda socialmente responsável e economicamente sustentável é aquela que tem ciência do seu papel na cadeia de produção de alimentos e sabe a influência que tem na comunidade em que está inserida, tanto como empregador como consumidor de recursos naturais.

Relação entre funcionários e animais

Não menos importante, listamos por último a relação entre os funcionários e os animais de ordenha. Os técnicos que têm contato com as vacas devem ter formação adequada e serem capazes de observar o rebanho, tanto de forma conjunta como individualmente.

Os tratadores devem conhecer os hábitos naturais dos bovinos para que percebam eventuais anormalidades em seu comportamento. Além disso, devem manejar o rebanho com calma e propriedade, serem capazes de identificar problemas de saúde e apontar a necessidade de intervenção veterinária.

Uma fazenda de pecuária leiteira é sustentável e altamente produtiva quando o produtor compreende que faz parte de um sistema que, quando une a tecnologia com a ética animal, a responsabilidade ambiental e a segurança, funciona com equilíbrio, harmonia e competência.

Nosso artigo foi esclarecedor para você? Gostaria de saber mais e se aprofundar nas questões de boas práticas na pecuária leiteira? Entre em contato conosco, teremos prazer em lhe atender!

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