Conforto Animal

Como posso calcular o ROI da produção de proteína animal

Escrito por Marcelo Raimundo

O Brasil é uma das maiores potências na produção de proteína animal. A expectativa é que o país ocupe, em 2018, o lugar na produção/exportação mundial de suínos, segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Em 2015, o Brasil já havia ultrapassado a China e se tornado o maior produtor mundial de proteína aviária, posição que ostenta atualmente.

O problema é que ele produz e exporta muito, mas tem pouco retorno sobre sua criação/processamento. A baixa mecanização, o investimento em tecnologias erradas e a falta de gerenciamento de métricas de lucratividade corroem a retribuição sobre o esforço produtivo, sobretudo dos médios produtores.

Uma dessas métricas essenciais é o Retorno sobre Investimento (ROI). Mas o que é e como calcular o ROI? As próximas linhas vão mostrar o caminho a você! Confira!

O que é ROI e qual sua importância

ROI é o ganho adicional que uma tecnologia/metodologia gera em uma operação dividido pelo seu custo de implantação. Ele mensura a eficiência com que o negócio está utilizando seus recursos e ainda ajuda a identificar quais são os investimentos críticos/estratégicos em sua área de atuação.

No caso da agroindústria, a implementação de sensores, defensivos e equipamentos deve ser cercada do monitoramento do quanto de lucro incremental foi gerado após a utilização desses novos recursos.

Mas estudar ROI é falar em custo (fruto de investimentos ou de fatores externos). Dessa forma, não há como escapar da reflexão sobre as variáveis que afetam a lucratividade na produção de aves/suínos. Vamos ver algumas delas para então aprender como calculá-lo?

Variáveis que impactam os custos da produção de proteína animal

Nutrição

Segundo a Embrapa, com o aumento do preço da soja e do milho, o custo na produção de suínos e frangos registrou alta recorde em 2017.

Em Santa Catarina, por exemplo, as elevações sucessivas no custo dos insumos fizeram com que o custo total de produção do quilo de suíno vivo saltasse de R$3,18 em agosto, para R$3,33 em setembro. Já o custo de produção das aves passou de R$2,25 para R$2,30 no mesmo período.

Em um cenário como esse, torna-se ainda mais essencial ter sistemas e equipamentos que evitem perdas de cabeças e racionalizem os insumos utilizados. É aqui que está a importância em saber como calcular o ROI.

Volatilidade do câmbio

Boa parte das matérias-primas e insumos utilizados na produção de proteína animal é importada, o que torna os produtores reféns de questões macroeconômicas, como as flutuações no dólar.

Problemas de infraestrutura

O principal problema na logística de distribuição da agroindústria é o custo do transporte, que é elevado exatamente pelas deficiências de infraestrutura no país (péssimas condições das rodovias, altos custos com pedágios e apólices de seguros etc.).

Para sair do campo da abstração, um exemplo prático pode ser dado pela produção de grãos. Três países (Brasil, Argentina e Estados Unidos) concentram 80% do fornecimento de soja ao planeta. E, apesar de o Brasil ter elevado exponencialmente sua produção nos últimos 50 anos, a competitividade do produto nacional continua na rabeira na comparação entre as outras duas nações.

Segundo o CNA, o custo do produtor brasileiro de soja, da saída da fazenda até o porto, é em torno de 400% superior ao do agricultor norte-americano ou argentino. Nem precisa dizer que o mesmo raciocínio (proporcionalmente) se aplica na produção de suínos e aves, certo? Isso aumenta a necessidade de medir custos, algo que o ROI faz com perfeição.

Casos fortuitos e de força maior: clima e greves

Em junho de 2017, o fechamento do Porto de Itajaí (devido às más condições climáticas e hidrológicas) resultou em prejuízos milionários aos produtores de proteína animal. Em março, o mesmo porto também teve suas atividades paralisadas — dessa vez, por causa da greve dos portuários. Tudo isso aumenta o custo de produção e reduz drasticamente o lucro líquido dos produtores.

Necessidade de fazer investimentos que reduzam o custo por animal

Se os custos são altíssimos, é preciso investir em tecnologias que tragam aumento significativo da produção, reduzindo ao máximo a perda de animais e diminuindo, assim, o custo por cabeça. Por mais que pareça antagônico, esse “estado da arte” na produção animal se alcança com investimento.

Essa iniciativa é capaz de reduzir o custo relativo de cada uma das variáveis elencadas no tópico anterior (aliás, é exatamente a aplicação bem-sucedida dessa estratégia que diferencia os produtores em expansão dos estagnados). A questão é saber filtrar quais investimentos merecem ser efetivados — o que passa diretamente por saber como calcular o ROI de cada aquisição.

Esse é o ponto. Muitos produtores ainda não percebem a diferença entre despesa e investimento. Se a compra de um sensor de temperatura vai culminar na redução das mortes nas granjas, é possível que esse dispêndio seja refletido positivamente nos demonstrativos de resultados da agroindústria.

Se a aquisição de ventiladores de conforto animal trará melhor equilíbrio térmico nos criadouros, “economizar” nessa seara vai resultar em prejuízos de valores muito superiores aos da suposta economia realizada. É preciso aprender a pensar na perspectiva do lucro de médio e longo prazo e não apenas no esforço financeiro imediato.

A resposta matemática sobre a vantagem de investir em cada tecnologia somente será alcançada após a realização do cálculo do Retorno sobre Investimento. Mas como calcular o ROI?

Como calcular o ROI da produção de proteína animal

Conforme já citado no início do artigo, a fórmula do ROI é bastante simples:

ROI= (Lucro – Custo) / Custo x 100

O que o ROI deve mostrar é que não basta investir. É preciso investir permanentemente em ações que lhe tragam resultados efetivos com o menor custo possível. Isso é otimizá-Io constantemente.

Por exemplo, de que adianta comprar dezenas de ventiladores de qualquer tipo para sua granja, que podem até reduzir o calor do ambiente, mas vão produzir um nível de ruído que certamente vai estressar o rebanho? Já falamos neste blog sobre as agressões mútuas, pisoteios e outras lesões que são desencadeadas por estresse animal, lembra?

É preciso medir o ROI, neste caso, para encontrar um equipamento de precisão, que tenha excelente vazão e com o menor ruído. Por que isso? Assim você conseguirá baixar o consumo de energia, que é outro fator importante.

O consumo de energia se dá pela necessidade de movimentar a massa de ar em um ambiente, no intuito de “roubar” calorias e resfriá-lo com o menor consumo de energia possível.

Um equipamento de ponta em conforto animal consegue, mediante estudos de dinâmica de fluidos, atingir a ventilação mais eficiente, com o menor custo de energia e o mínimo nível de ruído. Isso acarreta reflexos diretos:

  • na saúde animal (redução de estresse);
  • na produtividade nas instalações;
  • na redução de lesões do rebanho;
  • na redução de custos com energia.

O lucro adicional presente na fórmula do ROI, nesse caso, vai ser refletido em todas essas variáveis acima. Por isso, deve-se comparar os resultados financeiros, de produtividade e de saúde animal antes e depois da implementação de tecnologias como essa.

Hoje você aprendeu o que é, como calcular o ROI e qual sua importância na análise de cada investimento na granja. Que tal agora assinar nossa newsletter e continuar por dentro de todas as novidades do agronegócio? Sucesso e até breve!

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