Suinocultura

Bem-estar animal: qual o manejo apropriado de suínos na maternidade?

Escrito por Marcelo Raimundo

Estudos sobre o comportamento animal e o acesso fácil à informação (conteúdo na internet) estão mudando o perfil dos consumidores que, hoje, são mais preocupados com o meio ambiente e com o modo como são tratados os animais de criação. O aumento no nível de exigência provocou alterações nos parâmetros dos meios de produção de carne no mundo, e é crucial que os produtores brasileiros acompanhem essas mudanças.

Além das questões éticas, existe a correlação direta e, hoje, lógica do conforto animal com a produtividade e a rentabilidade do negócio — animal que está bem produz mais e melhor.

Mas de que maneira o bem-estar animal influencia na qualidade dos produtos e como investir corretamente no conforto dos suínos na maternidade? Para responder a essas perguntas, preparamos este artigo para você. Boa leitura!

Os avanços da suinocultura no Brasil

A prática da suinocultura no Brasil é, há anos, bem estabelecida e representa um importante papel na economia nacional. O país tem se destacado mundialmente ocupando a quarta posição no ranking de produção e exportação de carne suína.

avanço tecnológico e a produção em larga escala alavancaram o setor da agroindústria brasileira, mas, atualmente, há outro fator que tem feito diferença quando o assunto é a produtividade: o bem-estar animal.

No mercado globalizado atual, em que a competitividade dá as diretrizes, é fundamental que o empreendedor que deseja se inserir e explorar novas rotas de comercialização aumente o grau de especialização do seu sistema produtivo.

Assumirá a liderança e se fixará no mercado o produtor que compreender este movimento de modernização decorrente da crescente conscientização do consumidor no que se refere à qualidade do produto e à responsabilidade ambiental.

As boas práticas geram bons resultados

A melhor maneira de aplicar técnicas adequadas de manejo aos suínos é conhecendo sua biologia e seu comportamento. Respeitando algumas premissas e oferecendo uma boa ambiência, o equilíbrio é atingido com facilidade na granja e a cadeia produtiva se torna harmônica.

Porcos são seres sencientes. Isso significa que eles têm a capacidade de experimentar emoções, sejam elas positivas ou negativas. A demanda dos consumidores por uma maior empatia e humanização no tratamento aos animais faz com que seja prioritário o investimento em conforto.

Os princípios do bem-estar animal envolvem a saúde, a alimentação, o alojamento e a expressividade do comportamento natural. Para que esses conceitos sejam alcançados, as seguintes práticas devem ser adotadas:

Estrutura

A infraestrutura da granja deve atender as necessidades do animal. Na natureza, os suínos têm hábitos gregários, são curiosos passando boa parte do tempo procurando por alimento e têm seu pico de atividade em horários vespertinos e crepusculares. Costumam separar o seu habitat em diferentes áreas para alimentação, descanso e defecação.

O espaço necessário para cada fêmea adulta é de 2,25 m2 e para as marrãs 1,64 m2. O alojamento deve permitir que o animal possa girar em torno de si mesmo, deitar com facilidade, chafurdar e dormir confortavelmente. A separação dos ambientes assegura que os animais não sejam muito expostos a doenças e infecções.

A saúde dos porcos é avaliada com medidas fisiológicas e medidas comportamentais, isto é, baseia-se na observação de sinais de estresse manifestados por eles. No sistema intensivo em que o confinamento é extremo (onde as matrizes ficam em gaiolas de gestação) é muito comum que as porcas mordam as grades e atinjam níveis de estresse muito elevados.

Outros países já fizeram a transição desse sistema de produção para o de gestação coletiva, em que as fêmeas prenhas são mantidas juntas em uma área em comum. Isso confere, além de espaço adequado, a possibilidade de elas terem contato umas com as outras, permitindo a expressão de seu comportamento grupal.

Conforto térmico

A manutenção da temperatura nos galpões de suinocultura é assunto delicado e fundamental para manter a ambiência. Principalmente porque as etapas em que se encontram os animais exigem temperaturas ideais distintas. Os suínos são animais extremamente sensíveis às alterações de temperatura e sua condição pode ser melhorada quando a climatização é adequada com ventiladores de qualidade.

Para as matrizes, a faixa de conforto térmico é entre 16 e 21 °C, enquanto que para os leitões recém-nascidos a temperatura ideal é de 31 a 34 °C e aos 35 dias, entre 26 e 30 °C. Cortinas podem ser utilizadas na maternidade, a fim de livrar os filhotes da incidência direta do vento e um escamoteador com aquecimento regulado é a melhor opção para os leitões enquanto não estão mamando.

Cabe ressaltar que os suínos também reagem intensamente à poluição sonora e, uma dessas reações, é proferir ruídos. Ou seja, quanto mais barulhento for o galpão, mais estressados se sentem e mais ruídos emitirão.

Manter a temperatura ideal nos diferentes ambientes e etapas de criação com ventiladores projetados para serem o mais silenciosos possível garante ao plantel uma condição de conforto sonoro, privando-lhes de medo e inquietação.

Manejo dos animais

No que se refere ao manejo das matrizes, é importante juntar as fêmeas na baia coletiva logo após a inseminação ou cobertura e antes que ocorra a nidação do embrião. Após esse período, o estresse causado pelas brigas por posições hierárquicas pode causar perdas embrionárias, perda de nascidos ou leitões mumificados.

As porcas formam subgrupos, e é comum haver disputas, em respeito a sua hierarquia, por espaço, alimento e água. As fêmeas prenhas se beneficiam quando mantidas em conjunto, desde que sejam respeitadas algumas regras, tais como agrupá-las por idade, tamanho e período do ciclo reprodutivo. A composição de grupos homogêneos reduz os riscos de estresse e danos decorrentes.

Capacitação da equipe

A formação e a capacitação dos profissionais que atuam na cadeia produtiva — médico-veterinário, zootecnista, técnicos e todos que tiverem contato direto com os animais — é um investimento de alto valor agregado à granja.

Estudos apontam que quando há uma interação adequada entre homem e animal os ganhos produtivos chegam a 8%. Os porcos são animais inteligentes e reconhecem seus tratadores. Boas práticas de bem-estar no manejo direto com os suínos garante um ambiente tranquilo para todos.

O bem-estar animal e a produtividade

A produtividade do criadeiro está intimamente relacionada ao conforto animal. Quanto maior o número de problemas ou a gravidade enfrentada pelos animais, menor será o seu desempenho. O estresse físico os leva a mudanças comportamentais que, por sua vez, causam alterações hormonais significativas, deixando-os mais propensos a contrair doenças e acarretando, também, na diminuição na longevidade.

Quando alojados em galpões bem gestados e infraestrutura adequada, os suínos apresentam menos danos físicos e uma maior longevidade. Isso significa que a taxa de reposição é menor, gerando, portanto, mais economia. Em um ambiente livre de estresse, matrizes mais tranquilas têm maiores taxas reprodutivas e geram leitegadas mais uniformes.

Conjuntamente, o investimento em sistemas automatizados permite ao empreendedor um maior controle sobre todas as condições das instalações e em todas as suas etapas. Toda a cadeia de produção, desde a alimentação até o período do ciclo reprodutivo em que as fêmeas se encontram, é facilmente monitorada por computadores.

O produtor deve avaliar o que deseja e estabelecer metas para atingir seu objetivo — o custo inicial pode ser alto, mas compensa. Os ganhos produtivos são evidentes e garantidos. O emprego de boas práticas em bem-estar animal aliado à tecnologia impulsiona o agronegócio e o sistema de produção torna-se harmonicamente sustentável.

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