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7 lições aprendidas com a greve dos caminhoneiros

No dia 21 de maio de 2018 teve início uma das manifestações de trabalhadores autônomos mais significativa dos últimos anos no país. A greve dos caminhoneiros — também conhecida como crise do diesel — parou o Brasil, de Norte a Sul, e trouxe consequências avassaladoras para o setor agropecuário. Entretanto, como resultado, a paralisação provocou reflexões e deixou lições para os produtores.

Em dez dias de duração, os motoristas protestaram pelos reajustes frequentes nos preços dos combustíveis, reivindicaram o fim do pedágio por eixo suspenso e do PIS/Cofins sobre o diesel. Seu bloqueio nas estradas causou uma crise no abastecimento de alimentos, remédios e gasolina, alterou drasticamente a rotina da população e acarretou estado de emergência em diversas cidades.

Nesse cenário, quais foram os reflexos da greve dos caminhoneiros para a produção no campo? De que maneira o setor agropecuário foi afetado e quais foram os aprendizados para o produtor rural? Acompanhe o artigo e entenda! 

Como a greve dos caminhoneiros afetou o agronegócio?

Dos setores que movimentam a economia nacional, o agropecuário foi o mais impactado pela greve dos caminhoneiros. O presidente do IBGE, Roberto Olinto, apesar de afirmar que os danos ainda são incalculáveis, admite uma perda de R$ 15 bilhões com a paralisação. Uma vez que o agronegócio corresponde a 1/5 do PIB brasileiro, a greve causou uma redução na arrecadação no segundo trimestre do ano.

Toda a cadeia produtiva agropecuária sofreu sérios prejuízos (na casa dos bilhões de reais). As perdas foram causadas tanto pela falta de insumos, que não chegavam às propriedades (causando a morte de milhares de animais), quanto pela impossibilidade de escoar a produção. A maior queda foi nas carnes, com um dano de mais de US$ 1,1 bilhão (uma retração de quase 10%).

Houve casos de animais que morreram nas estradas devido aos bloqueios, e muitos alimentos que não puderam ser embalados e estocados tiveram que ser descartados pelos produtores. 

Avicultura e suinocultura

Muitas granjas precisaram restringir a alimentação dos frangos (de 16 horas para três), apenas para mantê-los vivos, e animais prontos para o abate não puderam ser transportados. O mesmo aconteceu com os suínos, acarretando um prejuízo para esses setores de R$ 3,15 bilhões  com a morte de 70 milhões de aves , segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Além disso, cerca de 135 mil toneladas de carne suína e de frango deixaram de ser exportadas, fazendo com que 167 frigoríficos cessassem suas atividades, suspendendo uma receita de mais de US$ 60 milhões ao país.

Pecuária leiteira e de corte

Pequenos, médios e grandes empresários tiveram que descartar milhares de litros de leite, uma vez que o governo não permite que os laticínios sejam doados. Com a alimentação restrita, as vacas passaram a produzir menos, aumentando as perdas para o pecuarista. Nesse setor, o prejuízo foi de R$ 1,5 bilhão.

Na pecuária de corte, cerca de 1200 containers por dia não foram exportados, gerando multa dos países importadores. O abate em muitas propriedades foi atrasado e a alimentação escassa diminuiu o ganho de peso diário, afetando o preço da carcaça.

Os preços dos produtos aumentaram para consumidor?

O consumidor sentiu no bolso as consequências das quedas bruscas na produção agropecuária. A greve dos caminhoneiros foi apontada como a responsável pela alta da inflação de 3,55% nos supermercados de São Paulo.

A carne de frango e o leite estão entre os produtos que mais tiveram aumento. Com a morte de tantas aves, a taxa foi de 40% no atacado, e o leite chegou a ter alta de 29,3% na primeira quinzena de junho. No varejo, também houve aumento, mas com menor intensidade.

O preço da carne suína subiu logo após as manifestações, mas o embargo russo fez com que houvesse um excedente do produto. Com isso, os preços foram reduzidos e o consumo interno aumentou nos últimos meses. Já a carne bovina teve aumento de quase 5% em todo o país devido à sua menor oferta.

Quais lições aprendidas com a greve dos caminhoneiros?

Todo esse cenário provocou grandes reflexões e traz algumas lições para todo o país. Vejamos algumas.

1. O consumo das famílias deve ser priorizado

O consumo familiar entra no cálculo do PIB junto com o consumo do Governo, os investimentos e as exportações — menos as importações. Em 2017, de todos esses fatores, o consumo da população teve participação de 63%. Isso nos diz que é preciso ponderar as ações que levem à sua queda, visto que as paralisações acarretaram um grande rombo aos cofres públicos.

2. Quem sofre é a população

Os efeitos dessa grande greve dos caminhoneiros mostraram que a população é a primeira a ser atingida, já que a crise no abastecimento de alimentos e combustível é repassada ao bolso do consumidor.

Em seguida, as consequências negativas são sentidas no setor produtivo e, nesse caso, os produtores rurais foram severamente impactados, como foi demonstrado anteriormente. Por último, e com muito menos intensidade, os efeitos chegam aos investidores.

3. É preciso avaliar as consequências dos atos

Tanto as reivindicações populares quanto as que falam por setores específicos são justas, válidas e legítimas. Entretanto, é necessário avaliar as manifestações, mensurar suas implicações a curto e longo prazo a quem se intenta atingir e, então, planejar as ações. Dessa forma, os prejuízos podem ser minimizados para todos!

4. É um erro depender apenas de um meio de transporte

O rodoviarismo (priorização das rodovias) teve início em 1920 no Brasil, com o presidente, Washington Luís, e auge no governo Juscelino Kubitschek. Mais de 62% do sistema de transporte nacional é rodoviário, mas isso não garante a qualidade das nossas estradas. 

A paralisação dos caminhoneiros e a crise dos combustíveis provou a necessidade de investir em outros meios de transporte, tais como ferrovias e transporte marítimo. Foi a extrema dependência que temos dos caminhoneiros que fez o país parar completamente por 10 dias.

5. Deve-se priorizar o abastecimento de setores públicos

Suspender o rodízio de automóveis, como fez São Paulo em meio à greve, não foi uma decisão sensata. É fundamental que se priorize, por exemplo, o transporte público e alternativo (bicicletas) nesses momentos. Focar em setores de atendimento básico à população, como a saúde e alimentação, deve ser prioritário para os responsáveis.

6. É hora de priorizar elétricos

É preciso investir em fontes de energia renováveis e sustentáveis, tais como energia solar e eólica. Se os caminhões e automóveis fossem elétricos, a greve dos caminhoneiros teria tido menor impacto sobre a produção rural e a vida da população de forma geral.

7. Focar na produção local é essencial

A oferta de alimentos para o público depende intensamente do seu transporte. Incentivar as produções locais próximas aos centros urbanos é uma tendência mundial e ficou claro de como essa prática é indispensável. Assim, ao aproximar a demanda da oferta, as necessidades e os custos com transporte são reduzidos.

O cenário político e econômico atual, no Brasil, é delicado e incerto. Cada vez mais as classes trabalhadoras e categorias de prestadores de serviço estão em busca de melhorias e assim como a greve dos caminhoneiros o fez, reivindicam para terem seus direitos e interesses atendidos. Contudo, é preciso olhar para trás e aprender com o passado para poder vislumbrar um futuro promissor.

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